
A decisão da direção nacional do PT de intervir no partido no Recife e indicar o Humberto Costa como candidato A prefeito não chega a ser uma surpresa, mas pode ser interpretada como uma trégua no inferno astral que ele vinha vivendo desde que venceu a eleição para o Senado, em 2010, em que pese as inúmeras críticas pela imposição do seu nome, inclusive nas redes sociais. Embora logo após tomar posse, Humberto tenha sido escolhido pela presidente Dilma para liderar a bancada do partido na Casa, em Pernambuco ele enfrentou uma série de agendas negativas, que culminaram com seu envolvimento no tumultuado processo de anulação da prévia que definiria o candidato petista à PCR.
Se seu grupo saiu vitorioso no final de tudo, por outro lado o episódio expôs a dificuldade do senador em consolidar sua liderança política na capital, onde já foi o vereador mais votado da história (2000). Mas o inferno astral de Humberto começou em meados de agosto de 2011, quando um grupo de 113 militantes da tendência Construindo um Novo Brasil (CNB) – liderada por ele e de espectro majoritário no PT – divulgou manifesto oficializando um racha.
Entre os signatários estavam a deputada estadual Teresa Leitão, o ex-presidente regional do PT Jorge Perez e o vice-prefeito de Olinda Horácio Reis, todos até então seus aliados. O grupo apontava o distanciamento dos movimentos sociais e a ausência de debates estratégicos, condenava a “fulanização” dos projetos políticos no PT e as decisões tomadas de forma individual. E o principal: criticava um atrelamento excessivo ao PSB e ao Palácio, que estaria comprometendo a independência do PT e inibindo a construção de candidaturas próprias do partido no Estado para 2012.
Diante da crise, o senador silenciou, preferindo escalar interlocutores para responder às críticas. Entre eles, o próprio presidente do partido, deputado Pedro Eugênio, também integrante da CNB. Mas a reação não impediu os “rebeldes” de anunciar apoio à reeleição do prefeito João da Costa. Era tudo o que Humberto menos desejava. Nos bastidores da Frente Popular, ele já vinha se movimentando para tentar emplacar seu próprio nome como “candidato da unidade” à PCR. Teve, inclusive, o cuidado de comunicar sua intenção ao governador, argumentando que só pleitearia a indicação caso João da Costa – então com índices baixos de popularidade – desistisse da reeleição. Foi, porém, aconselhado a não levar o projeto adiante para não tumultuar a sucessão e, também, para não ter que abrir mão do mandato de senador que lhe conferia maior dimensão no Estado.
JC
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